domingo, 24 de junho de 2012

Ser Bruxa Hoje


Ser  bruxa, pode ser pra alguns ter verruga no nariz, pêlos no queixo, rosto enrugado, ter salamandra , gato preto e um caldeirão... Para mim ser bruxa é ser mulher, mulher naturalmente sagrada, que se ama por ser mulher, ama seu ciclo natural ligado à Lua, ela ama amar profundamente, parir naturalmente, amamentar livremente....O caldeirão da bruxa é o seu útero, a representação do infinito, do universo em nós. 

Os feitiços da bruxa contemporânea  estão diretamente ligados à relação de cada uma com sua essência sagrada feminina. A sociedade patriarcal em que vivemos ao longo dos tempos veio cortando as ligações sagradas das mulheres com elas mesmas. Proibiu suas danças ao redor das fogueiras no princípio, hoje manipula seu ciclo menstrual e seu parto com hormônios artificiais. Para as que ainda assim menstruam, as fazem sangrar mais e ter efeitos colaterais horrorosos por conta da dioxina que se encontra nos absorventes descartáveis. Faz com que elas pensem que bebês não devem nascer quando querem e nem mamar à vontade. Tira o direito do seu protagonismo no parto, através das cesarianas e dos partos hospitalares desrespeitosos, onde a personagem principal é o médico e não a mulher e o bebê. Uma sociedade que quer de qualquer forma tirar a mulher de seu papel de base da família para ser a robozinha trabalhadeira que gasta bastante e aceita tudo que o sistema impõe sem questionamentos.

Sinto-me tão poderosa de ser dona do meu corpo, de aprender com meu sangue sagrado, oferendá-lo mensalmente às plantas do meu jardim , através dos meus paninhos que ficaram de molho e do meu coletor. Os momentos de maior poder que experimentei até hoje em minha vida foram os dois partos dos meus filhos. Foi no parir que descobri e me reconectei profundamente com a divindade que habita em mim. Como diz uma amiga bruxa minha, foi “o meu encontro com Deus”.  Desde então o poder foi só aumentando em mim, a conexão cada vez maior comigo mesma, com meus sentimentos, emoções, sensações, tensões, tesões, pirações...

A partir daí tudo começou a fluir fortemente para o aumento do meu poder pessoal. Ser diferente, ser considerada a doida, maluca beleza, natureba pela minha maneira de viver a mulher sagrada que habita em mim, não representa um problema, pelo contrário “isso não tem preço”. É um prazer, um tesão, uma alegria tão grande sentir essa força pulsando, vibrando em cada uma de minhas células.  

Ter consciência de seu poder pessoal é o primeiro passo para ser uma bruxa poderosa. É saber fazer a magia acontecer em seu caldeirão (seu útero). Por isso cabe a cada uma garantir e lutar pelos direitos de todas  sangrarem, amarem, parirem, amamentarem, educarem, trabalharem e viverem da forma naturalmente feminina que pulsa em cada uma. Ajudem as irmãs a despertarem dessa anestesia que o sistema injetou nas mulheres. Menstruar, amar, parir, amamentar, educar, trabalhar e viver  não é sofrer. É experimentar o poder divino da vida. É aceitar a deusa que habita em ti em toda sua plenitude, com todas as nuances e cores. Com todas as fases da lua, com todos os ciclos da natureza girando em perfeita harmonia.

Ser bruxa é ter consciência do poder do universo em seu útero. Da força geradora, criadora, mantenedora da vida. Nosso útero é o receptáculo, o cálice que gera. Por ser receptáculo, devemos cuidar bem das energias que ali terão a honra de estar. Isso faz parte do poder da bruxa, saber escolher quem terá o prazer de compartilhar de sua companhia e de suas magias.

Para todas as deusas, mulheres naturalmente sagradas, bruxas que são bruxas, porque são lindamente poderosas e conscientes de seu poder. Para as mulheres divinas que tem a consciência do poder de seu caldeirão, o poder do infinito. E para todas as outras que estão com seus caldeirões adormecidos pelo sistema, acordem irmãs, vocês são tão poderosas quanto nós.

Daniela Cuccia 21/06/2012 
(inspirada pela sensação maravilhosa de ser poderosa, pela Lua Nova e pelo Solstício de Inverno)
*Se deseja reproduzir ou compartilhar este texto, por favor, citar a fonte e compartilhar à vontade.